Solène Ballesta: Névoa pela Manhã com a Daguerreotype Achromat Art Lens

2017-06-21

Solène Ballesta é uma fotógrafa parisiense que se iniciou no mundo da fotografia aos 15 anos. Em 2014, esta talentosa fotógrafa foi premiada com a menção especial da jovem fotógrafa de moda Picto Awards. Com as suas fotografias, Solène conduz-nos a um mundo encantado. Para esta série, ela usou a Daguerreotype Achromat Art Lens e conta-nos a história de uma mulher que à espera de alguém ou de algo num pequeno teatro e que decide aventurar-se na névoa da manhã. "É a incerteza que encanta cada um. Uma névoa torna as coisas maravilhosas", disse Óscar Wilde.

Olá Solène! Podes apresentar-te à nossa comunidade?

Olá ! Sou uma fotógrafa Parisiense que trabalha, sobretudo, em moda e retratos. Também tenho uma produção mais pessoal, que é representada pela Micro Galerie. Sou uma apaixonada por cinema, história de arte e curiosidades.

Conta-nos a tua história com a fotografia. Qual foi a tua primeira câmara? Quando é que decidiste tornar-te fotógrafa profissional?

Por volta dos meus 15 anos de idade interessei-me inteiramente por fotografia. Anteriormente eu gostava de criar pequenos enredos, pequenas histórias e desenhava imenso. Finalmente, o aspecto muito intuitivo e "livre" da fotografia convenceram-me e eu privilegiei esse meio. Passo a passo, acostumei-me a isso! Tornou-se o meu trabalho a tempo inteiro há 3 anos. A minha primeira câmara era uma câmara dos anos 2000 e desde então que tenho várias câmaras diferentes para tentar várias coisas (e é sempre o caso).

Podes partilhar connosco como é o teu dia-a-dia como fotógrafa? O que é que fazes?

A alegria de ser fotógrafa é que cada dia é diferente! Mas digamos que o meu tempo divide-se entre organizar sessões fotográficas, responder a clientes, agendar coisas, conhecer pessoas, demasiado tempo à frente do photoshop, preparar editoriais, exposições ...

Tudo isso está em paralelo com a minha pesquisa teórica sobre fotografia, incluída num mestrado em arte contemporânea na Universidade Paris 8. Actualmente também estou a trabalhar num grande projecto com alguns amigos que são artistas - uma empresa a seguir ;)

Como defines o teu próprio estilo?

Algo entre Baudelaire e Hiroshige.

O que é que te inspira?

O teatro, o cinema (sobretudo o Fantástico), pintura do século XIX, art nouveau, romantismo negro, arte asiática e oriental, o mundo vegetal, alta costura e armários cheios de curiosidades ... mas também a elegância e as pequenas peculiaridades da vida quotidiana.

Por último os fotógrafos Paolo Roversi, Sarah Moon, Deborah Turbeville, Tim Walker, Irving Penn.

Algum assunto favorito para fotografar?

Sonhos.

Há algo que não gostes de fotografar?

Acho que não há nada...

Continuas a fotografar em analógico. Que câmaras é que usas e porquê?

Fotografo em película por causa da textura que traz ás imagens, sem comparação com o digital. Isso também significa que a fotografia torna-se mais especial, mais concentrada e mais calma. E também há a emoção do processo de revelação. Eu uso câmaras em segunda mão, de preferência em péssimas condições. Isto porque há uma história por detrás delas e a película fica presa, há lágrimas, entradas de luz, não tenho ideia do que irá acontecer... É sempre tudo complicado e é por isso que é divertido! Actualmente uso uma Zorki 4, a Nikon FG-20 e a FM2.

Achas que a fotografia analógica contribuem para acrescentar um certo je ne sais quoi às tuas fotografias digitais? Porquê?

Ambas se complementam completamente na minha prática. Às vezes, a mesma história misturará os dois géneros ou farei uma pós-produção digital em filmes digitalizados ... Adoro juntar as técnicas e isso dá um aspecto muito estranho e diferente às imagens.

Porque é que achas que as pessoas continuam a fotografar em analógico?

Porque película é película.

Falemos então sobre a Daguerreotype Achromat! Quais foram as tuas primeiras impressões assim que viste a objectiva?

Eu fiquei completamente seduzida pela sua aparência vintage e pelas aberturas manuais. Dá-te aquela impressão de "regressar ás origens". Pensei que esta objectiva com a câmara digital seria uma câmara realmente estranha!

E quando a usaste pela primeira vez?

É realmente necessário concentrares-te no teu objectivo e, também, durante a sessão fotográfica. Tive a impressão que pensei demasiado durante a sessão e que aproveitei o tempo para as configurações de foco, alterando as aberturas para ver como estava a ficar... como com uma sala fotográfica ou uma objectiva telemétrica! Uma experiência maravilhosa nas fronteiras do tempo.

Porque escolheste esta objectiva em particular para esta sessão fotográfica?

Pelo seu efeito de borrão, tal como a visão de um sonho. Na verdade, escolhi este tema por causa desta objectiva ;)

Conta-nos a história que está por detrás desta sessão.

É a história de uma mulher, no seu pequeno teatro, à espera de alguem, ou talvez de algo... Então aparece uma neblina com um castelo como pano de fundo e ela decide mergulhar. O resto é contigo. Em qualquer caso, nem ela nem ninguém estava com frio durante a sessão!

O que é que esta Daguerreotype Achromat ou qualquer outra obectiva artística, traz para os fotógrafos?

Um mergulho numa atmosfera, uma distorção da visão imediata e imersiva, uma fotografia que ficará fora do comum.

Qual a particularidade da Daguerreotype que mais gostaste?

O facto de ser capaz de observar directamente as variações de borrão, poder mexer nos diafragmas separadamente, e depois, claro, o design!

Algum truque que queiras partilhar?

Tem o teu tempo.

Se esta série fotográfica fosse uma canção, qual seria?

Mysteries of love de Julee Cruise...ou qualquer outra canção de Lynch.

Últimas palavras?

« Monde de merde » «mundo de merda»


Todas as fotos deste artigo são usadas com o consentimento da Solène. Sabe mais sobre o teu trabalho através do seu Website ou segue-a no Instagram e Facebook.

Escrito por mpflawer on 2017-06-21

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