Kid Richards: a música e a fotografia num 2 em 1

Do ser ou não ser um rockstar e fotógrafo. Falar de Bruno Cantanhede é o mesmo que associá-lo ao seu alter-ego «Kid Richards» numa espécie de homenagem ao seu músico favorito, o lendário Keith Richards. Da moda a um diário e à sua paixão pela música, Bruno mostra-nos a sua arte no seu sentido universal através do seu olhar. A Lomography Portugal lançou-lhe um desafio: criar algumas imagens com uma câmara LCA-120 visto o seu trabalho ser, sobretudo, realizado em médio formato.

Bruno, Kid ou Kid Richards? Como preferes ser tratado?

Hoje em dia há muitas pessoas que me tratam por Kid. Geralmente, apenas os meus amigos e a minha família mais próxima é que me trata por Bruno (que eu prefiro). Kid é como um alter ego, acho eu.

Ficaste a ‘meio’ da licenciatura em Arquitectura para te dedicares à fotografia. Porque preferiste desistir? Acabas por recorrer a algumas formas arquitectónicas na maneira como fotografas?

Bem, eu não estava feliz naquela altura. Eu já tinha entrado no mundo da música e depois comecei a fazer fotografia, então senti que precisava de fazer essas coisas a tempo inteiro ou pelo menos tentar e fazer coisas que realmente me faziam feliz. Enfim, estudei Arquitectura e acho que isso está presente no meu trabalho, especialmente na minha série de diários.

A fotografia é um sonho de infância? Como surge este gosto que se transformou na tua profissão a tempo inteiro?

Na verdade não é. Mas eu lembro-me de tirar fotografias durante toda a minha vida. Era algo que sempre esteve realmente presente na minha infância. Eu lembro-me do meu pai dizer que eu tinha de ter cuidado com as fotos que tirava com a câmara, porque era uma câmara de rolo e nós só tínhamos 36 disparos e que não era barato mandar revelar, etc. E é engraçado pensar sobre isso neste momento! Há semanas em que eu uso 20 ou 30 rolos! Isto não foi uma coisa "planeada" por assim dizer, mas sempre esteve presente.

Qual ou quais as câmaras fotográficas que gostas de usar? E o porquê de fotografares sempre em analógico?

Bem, a minha câmara favorita de todos os tempos ainda é da Canon F1. Eu tenho duas e elas são simplesmente perfeitas. Elas foram construídas para serem como um tanque de guerra. Agora ando a usar a nova Fujifilm GA645 e estou sempre a comprar umas point and shoot baratas para tirar as minhas fotografias para o diário fotográfico. Além disso, eu adoro as minhas Mamiya, a RB67 e a M645, a minha Contax T2, ou a minha Big Shot Polaroid. Tenho perto de 70 câmaras em casa (e que funcionam).

Divides o teu tempo entre trabalhos para a Playboy e outras publicações a nível internacional e nacional. Como surgiu esse convite?

Bem, a revista Playboy Portuguesa convidou-me, há cerca de um ano, para começar a trabalhar com eles. Foi bastante importante para mim, e para eles , acho eu, porque eles acreditaram em mim e no meu trabalho, e aproveitaram a hipótese de terem novamente um fotografo que fotografa em película numa publicação nacional e para a marca Playboy. Neste momento já não trabalho com eles, pelo menos aqui em Portugal, por causa de outras questões, algumas sobre a visão artística que tenho sobre eles e outras coisas. Sobre as outras publicações e revistas, é sempre bom dar-me a conhecer e receber convites de algumas das revistas mais fixes deste meio.

Entretanto a música também entra na tua vida de uma forma bastante prática. Fizeste parte dos Born A Lion e agora nos The Poppers. Como surgem essas oportunidades? E entre a música e a fotografia, dá para escolher apenas um ou os dois são igualmente importantes para ti?

Antes da fotografia eu já era músico. Ainda sou e sempre serei. Comecei a tocar guitarra por volta dos 14 anos e nunca parei desde então. Acho que é o meu grande amor - o rock'n'roll. Ainda estou com Born A Lion e agora toco com The Poppers. Descobri que a fotografia é um dos amores da minha vida, com certeza, mas a música e o Rock'n'Roll, bem, esses são "o" amor até o fim. E é realmente difícil escolher entre eles (música ou fotografia).

Há várias capas de discos da tua autoria. O que é mais fácil? Fazer uma fotografia para a capa de um disco ou fotografar modelos?

Bem, é diferente. Mas acho que ambos são sempre difíceis. Fotografar modelos e realizar editoriais de moda, pelo menos para mim, são sempre difíceis. Isto porque estás a lidar com alguém que tem uma imagem, um ego, auto estima e essas coisas todas. E é preciso ter cuidado. Fotografar a capa para um disco é bem diferente em alguns aspectos. E fotografar em película tens sempre um grande risco de falhar. Mas eu adoro fazer as duas coisas.

Fala-nos um pouco da tua experiência com a LC-A 120 e sobre as fotografias que realizaste em exclusivo para a Lomography.

Confesso que não foi fácil nos primeiros dias. Estou habituado a outro tipo de câmaras de médio formato, aquelas em que realmente vês o que estás a focar e controlas tudo, como a Mamiya RB67 Pro S ou Mamiya M645. No início, o sistema de foco era um pouco difícil, mas diverti-me muito a usar a câmara! Realmente gostei do corpo da câmera, é realmente portátil para uma câmara de médio formato e a lente é incrível! Usei um rolo preto e branco Lady Grey ISO 400 e fiquei bastante impressionado! Amei o contraste! Eu revelo sempre em casa os meus rolos preto e branco. Acabei por também ser eu a revelar este rolo em casa e amei os resultados. Tentei fazer algumas das coisas que faço no meu trabalho – diário, editorial, modelos, etc. Por isso foi um desafio bastante interessante!

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Ficaste curioso por conhecer mais sobre o trabalho do Bruno? Visita o seu tumblr ou procura-o no Instagram . Todas as fotografias são da autoria de Bruno Cantanhede e são usadas com a sua permissão.

Escrito por breaking_the_skys on 2017-02-14 #Cultura #pessoas #medium-format #photography #medio-formato #fotografia #lomography-portugal #kid-richards #lcaplus-120 #bruno-cantanhede

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